quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Triangular final do Apertura na Argentina mostra uma boa alternativa para o campeonato brasileiro

O Torneio Apertura do Campeonato Argentino de 2008 terminou de forma extraordinária. O Boca Juniors conquistou seu vigésimo nono título nacional da história na partida decisiva contra o modestíssimo Tigre, equipe que voltou a disputar a primeira divisão apenas em 2007, depois de 25 anos fora da elite do futebol argentino. Apesar de ter perdido o jogo por 1 a 0, o Boca se sagrou campeão.

O Apertura 2008 foi histórico. Pela segunda vez, teve que ser decidido em um triangular final. Na Argentina não há critérios de desempate. Se duas ou mais equipes terminarem empatadas no final da competição, o campeão é decidido em jogos desempate, em estádios neutros. A primeira vez que três equipes empataram na primeira posição foi em 1968, quando o Vélez Sarsfield conquistou seu primeiro campeonato, ante o Racing e River Plate. Em outras seis oportunidades, incluindo a desse ano, jogos desempate foram feitos, sendo o último no Apertura de 2006, quando o Estudiantes foi campeão em cima do Boca.

Emoção não faltou no triangular de 2008. Além de Tigre e Boca, o San Lorenzo disputava o torneio desempate. No primeiro jogo, o San Lorenzo ganhou do Tigre por 2 a 1, e poderia ter feito mais. A equipe do veterano Solari poderia ser campeã se vencesse o Boca, mas acabou eliminada, pois perdeu por 3 a 1, e não teria mais chances no saldo de gols. O terceiro gol salvador de Chávez para os Xeneizes nos acréscimos não só eliminou o San Lorenzo, como deu o título para seu time.

Na derrota para o Tigre, a pressão depois do gol de Lázzaro foi enorme. Em um momento raro, o goleiro foi substituído por motivos técnicos. García, que falhou no gol, estava claramente abalado, e o treinador Carlos Ischia não hesitou em tirá-lo de campo, já que ele também havia engolido um frango no gol sofrido contra o San Lorenzo. Mas com toda sua tradição, o Boca soube usar a “catimba” e segurou o resultado, como nenhum outro time no mundo sabe fazer, principalmente em jogos decisivos.


Mas o motivo desse post é mostrar a alternativa que os argentinos dão a competitividade do campeonato. O jogo desempate também é usado na Itália, mas lá não há como serem mais de duas equipes na disputa. Se três ou mais empatarem, somente os dois melhores, no confronto direto durante o campeonato, decidem o título. Em recente post nesse blog, Fernando Vasconcelos levantou argumentos que derrubam qualquer crítico do sistema de pontos corridos. A não presença das finais é um dos principais pontos levantados por esses críticos.

O jogo desempate é uma alternativa para que o Brasileirão tenha essa final. Em sete campeonatos desde que foi mudado o sistema, o campeonato brasileiro foi decidido na última rodada em três oportunidades, o que comprova que há muitas chances de duas ou mais equipes terminarem empatadas no final. Imagine como seria interessante uma partida entre São Paulo e Grêmio, caso o tricolor paulista perdesse para o Goiás. Mas no Brasil isso remeteria novamente à questão do calendário, já que os jogadores perderiam um pouco de suas férias para disputarem o jogo, ou jogos a mais. A solução mais viável, sem me alongar, acho ser a diminuição dos estaduais. Mas isso é outra discussão.

Levanto essa questão também ao analisar os critérios de desempate no Brasil. Se o São Paulo tivesse perdido para o Goiás, o Grêmio seria campeão por número de vitórias. Ora, perder menos é tão honroso quanto ganhar mais, desde que tenham o mesmo número de pontos? O saldo de gols é consagrado tradicionalmente em muitas competições. Os campeonatos inglês, francês e alemão o usam como primeiro critério de desempate. Mas o confronto direto tem crescido nos principais campeonatos do mundo. No português e no espanhol (na temporada de 06/07, o Real Madrid só foi campeão por ter ganhado uma partida e empatado a outra diante do Barcelona) é o primeiro critério, como também na Liga dos Campeões. Na Alemanha e na França, é o terceiro critério. O fato é que número de vitórias não aparece em quase nenhum. Somente em Portugal, como apenas o quinto fator desempate.

Os critérios de desempate no Campeonato Brasileiro poderiam ser mudados. O número de vitórias não me parece ser o mais justo. O Apertura de 2008 do campeonato argentino mostrou uma boa saída, com o jogo desempate, que daria chances de acontecer as tão desejadas “finais”. Seria uma atração e tanto. Para que a final possa acontecer com maior regularidade, alguns defendem o confronto entre o campeão do primeiro turno contra o vencedor do segundo. Mas acredito que prejudicaria a cultura de planejamento a longo prazo que está começando a engrenar no Brasil. Se o jogo desempate não for a melhor opção, por questões de logística (calendário, direitos de transmissão, já que a Globo teria que rever sua programação), acredito que o confronto direto tem que ser utilizado como o primeiro critério de desempate, seguido de saldo de gols. Desse modo seria mais justo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Goiás perde Fahel e Rafael Marquez e novos reforços não agradam

Mesmo com a mudança no poder político o Goiás o presidente Pedro Goulart, fazendo nada mais do que o seu dever, segue planejando o próximo ano do time esmeraldino.

O anúncio da renovação de contrato de Ramalho foi muito importante para o esquema de Hélio dos Anjos. Um jogador de boa referência na marcação e que foi muito importante neste ano de 2008 no clube alviverde.

Hélio queria manter o time e trazer mais 5 reforços para deixar o Goiás um clube competitivo. Mesmo com a renovação de Ramalho, falta muito para o time brigar por um título expressivo.

O departamento de futebol demonstrou incompetência em finalizar apenas um acordo verbal com Fahel e Rafael Marquez antes dos atletas entrarem de férias. O resultado é que Fahel fechou contrato com o Botafogo e Rafael Marquez se já não está fechado com o Grêmio está muito perto de assinar com o clube gaúcho. Acreditar em empresário de futebol???????

Convenhamos caro João Gualberto, diretor de futebol, está é uma máxima que mesmo aqueles que não trabalham com futebol sabem. Em entrevista coletiva no anúncio do segundo reforço no ano, o diretor garantiu que “ agora o Goiás está mais experto com as ações de empresários”. Mas... só agora?

Bom é ouvir o técnico Hélio dos Anjos dizer “ Vou sentir muito a falta de Fahelzinho mas têm o seguinte, zagueiro e volante você encontra três bons hoje em cada esquina”.

Para suprir ausências no elenco do Goiás até agora a diretoria anunciou dois reforços. Rafael Gomes que estava no Figueirense e Felipe que estava no Naútico.

Lembro muito bem deste Gomes no Vasco. Uma verdadeira tragédia para o torcedor cruzmaltino. Um jogador que até sabe se posicionar bem, mas faz muitas faltas desnecessárias além de que não tem boa velocidade. Hélio dos Anjos afirmou que ele foi sua indicação e gostou da atuação dele diante do Goiás contra o Figueirense aqui no Serra Dourada este ano.

Este Felipe é um jogador fraco também. Não tem velocidade, não é homem de área e para falar a verdade, não jogou nada no Naútico. Não vai se adaptar ao esquema 3-6-1 do Hélio dos Anjos.

Diferente do que já ouvi da torcida e até da imprensa, só porquê ele marcou dois gols no Vila Nova não quer dizer que foi uma boa contratação.

Neste final de ano o Goiás provavelmente não anuncie mais nenhum jogador para a sua torcida.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mundial de Clubes precisa de modificação

Pelo segundo ano consecutivo, o continente asiático teve dois representantes no Mundial de Clubes da Fifa. Isso aconteceu porque a partir de 2007, o campeão japonês passou a ter o direito de representar o país na competição, para que assim o público se interessasse mais pelo torneio, que é realizado na terra do sol nascente. O problema é que coincidentemente o campeão japonês também conquistou o campeonato asiático. No ano passado, o Urawa Red Diamonds venceu a Liga dos Campeões da Ásia e foi campeão nacional. Com isso, o ''glorioso'' Sepahan United, do Iran, que foi vice-campeão asiático, herdou uma vaga no Mundial. Em 2008 a história se repetiu e o Gamba Osaka foi campeão japonês e continental, abrindo uma vaga para o Adelaide, segundo colocado na Liga Asiática.

Já que dois times da Ásia têm jogado o campeonato mundial, não seria melhor se Europa e América do Sul tivessem dois representantes? É claro que no ano que vem, com o Mundial sendo disputado nos Emirados Árabes, é pouco provável que o campeão do país sede seja também o campeão asiático. Mesmo assim, seriam dois representantes desse continente na competição de clubes que deveria ser a mais importante do mundo. Essa distorção se reflete no interesse dado ao Mundial. Querendo ou não, os clubes da Europa vão valorizar mais a Champions League do que o Mundial por causa da rivalidade e dos grandes clássicos do torneio europeu. Mas como seria um eventual reencontro entre Manchester United e Chelsea em solo japonês? Penso que seria disputado como uma guerra e o fato de dois times do mesmo país decidirem o campeonato do mundo, por exemplo, não tiraria o brilho da competição.

O que tira o brilho é ver uma partida entre Adelaide e Waitakere em uma fase preliminar que começa 10 dias antes da final. E se começa 10 dias antes da decisão, calendário parece não ser tanto problema assim. É possível fazer um torneio com dois grupos de quatro equipes (como foi feito em 2000 no Brasil) e fazer os times disputarem mais partidas. Em duas semanas, por exemplo, seria viável realizar um torneio mais atraente. Já que citei o confronto entre Chelsea e Manchester United, que decidiram a Champions League esse ano, que tal uma revanche entre Fluminense e LDU? Seria muito interessante.

Com o crescimento dos times mexicanos dentro da Libertadores da América, cheguei a ficar com receio de quem um dos mexicanos conquistassem o torneio sul-americano. Se isso acontecesse, o vice-campeão da Libertadores iria disputar o mundial, já que os times do México pertencem à Concacaf e não à Conmebol. A simples possibilidade de um vice-campeão continental jogar o mundial já me desagradava muito, mas diante do cenário atual, em que o segundo colocado da Ásia está jogando a competição, vejo a possível entrada de mais um time da América do Sul e outro do velho continente no torneio com bons olhos. São continentes com times infinitamente mais tradicionais e isso levaria mais rivalidade à competição. A ausência de rivalidade talvez seja o maior problema do Mundial.

Só por curiosidade, em 1993 o São Paulo conquistou o seu segundo título mundial. O adversário foi o Milan. Para quem não se lembra, ou não sabe, o time italiano não foi o campão europeu da temporada e sim o segundo colocado. O campeão do velho continente foi o Oympique de Marseille, da França, mas o time foi punido por causa irregularidades financeiras e foi impetido de disputar o Mundial, além de ter sido rebaixado no Campeonato Francês. O vice-campeão continental, Milan, tinha um grande time para representar a Europa contra o São Paulo. A prova disso veio em 1994, quando os jogadores do time rubro-negro formaram a base da seleção italiana que foi vice-campeã da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Planejando 2009

Todo final de ano é a mesma coisa no futebol, acabam os compromissos nos campeonatos e os clubes já começam a pensar na próxima temporada e planejar o que tem que ser feito para que os resultados sejam os melhores possíveis.

O primeiro passo, é o comando da equipe, a manutenção de um treinador à frente da equipe por um longo tempo pode ser a chave para o sucesso, o exemplo do Brasileirão 2008 mostrou muito isso. São Paulo com Muricy Ramalho, Grêmio com Celso Roth, Cruzeiro com Adilson Batista e Palmeiras com Vanderley Luxemburgo ficaram com as quatro primeiras posições e estiveram à frente de suas equipes por todo campeonato. Esses quatro renovaram contrato e devem dar continuidade no trabalho. Caio Júnior do Flamengo também comandou o rubro-negro nas 38 rodadas do campeonato, mas no fim deixou escapar a vaga para Libertadores e passa o boné para Cuca.

Definidos os treinadores, o que mais movimenta os clubes e os noticiários esportivos nessa época são as contratações para montagem do elenco. Existe uma guerra de forças para contratar os melhores jogadores, aqueles que mais se destacaram ou que são prioridades para suprir deficiências apresentadas durante o ano.

O Corinthians incendiou o mercado de contratações com o anúncio de que Ronaldo Fenômeno vai vestir a camisa corinthiana em 2009, além dele o timão fechou com Túlio volante que estava no Botafogo, Jorge Henrique meia-atacante também do Botafogo e com o zagueiro Jean que era reserva do Grêmio.

Já o São Paulo saiu na frente com as boas contratações até agora, Wagner Diniz, Eduardo Costa, Washington, Renato Silva e Júnior César, todos jogadores que poderão agregar mais qualidade ao já ótimo grupo que possui o tricolor paulista.

O Santos fez um campeonato fraco em 2008, até agora anunciou o meia Madson que foi rebaixado com o Vasco e Lúcio Flávio meio campista que estava no Botafogo e que pulou fora do barco que parece que vai afundar lá em General Severiano.

O Palmeiras é quem vive o momento mais delicado entre os times de São Paulo. Teve o time principal quase que inteiramente desmanchado e têm apenas dois reforços já confirmados, Marquinhos atacante ex-Vitória e Cleiton Xavier que foi rebaixado com o Figueirense. O pior de tudo é que o Palmeiras ainda não sabe quem vai ser o presidente do clube e às eleições estão marcadas para o dia 26 de janeiro, dois dias antes da estréia na Pré-Libertadores. O Palmeiras segue sem definição nenhuma e muito atrasado nas contratações para 2009.

No Rio de Janeiro o que se vê é uma debandada de jogadores para outros centros, no Flu Thiago Silva foi para o Milan, Washington e Junior César foram para o São Paulo, no Botafogo Jorge Henrique e Túlio foram para o Corinthians, Renato Silva para o São Paulo e Lúcio Flávio para o Santos. No Vasco a desmontagem do elenco e a montagem será nos moldes para a disputa da Segundona.

Cruzeiro, Grêmio e Internacional prometem times muito competitivos para a próxima temporada. É nesse embalo que o futebol acontece no final de ano, boatos, verdades, sonhos, frustrações e principalmente esperança no pensamento do torcedor para que 2009 seja mais próspero que 2008.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Raimundo ganha fôlego dias antes da eleição no Goiás

Quinta -feira o Goiás Esporte Clube tem um dia fundamental na sua história. Não vai ser uma final de campeonato em campo, mas será uma batalha no lado político. E como a gente bem sabe, diferente do futebol, os conflitos políticos não têm hora para começar e muito menos hora para terminar.

A briga é entre Hailé Pinheiro e Raimundo Queiroz. Uma longa amizade que foi construída dentro da sede do esmeraldino e em mais de 20 anos o que hoje são dois lados opostos era uma única chapa.

A eleição no Goiás está além do que uma briga entre situação e oposição. As contas de Raimundo Queiroz, dá época em que era presidente, ainda não foram aprovadas o que deveria excluí-lo das eleições. Porém, lá está ele com sua candidatura para ser o presidente do clube no próximo biênio.

Segundo reportagem do repórter Felipe Cândido do jornal Diário da Manhã do dia 15 de dezembro de 2008 o prejuízo que o Goiás Esporte Clube teve de 2003 a 2007, período em que Raimundo era o presidente, foi de R$ 20.896.718,00. O relatório da auditoria do clube aponta dois empréstimos com irregularidades.

O primeiro teria sido feito no dia 2 de agosto de 2006 no valor de R$ 150 mil e outro de R$ 346.244,66 no dia 10 de agosto do mesmo ano. Todos os vencimentos seriam para janeiro de 2007, data em que o novo presidente do clube assumiria o Verde goiano. Os empréstimos foram feitos com Adilscon Antônio Vilarino Braga, em um momento que o Goiás precisava de dinheiro para quitar algumas contas ainda do primeiro semestre daquele ano, quando a gerência de futebol do clube apostou em medalhões de alto valor na disputa inédita da Libertadores da América. É bom lembramos que o Goiás teve um ano de 2006 ruim, sendo eliminado da maior competição sulamericana ainda nas oitavas de final.

Sobre este empréstimo Raimundo utilizou juros acima do cobrado pelo mercado. Gostaria muito de saber o porquê dessa cláusula que coloca as contas do Goiás no descrédito. Esta é uma prática que infringe o Código Civil brasileiro. Raimundo ainda não se pronunciou sobre este juro abusivo.

Outro empréstimo que causa polêmica, e ainda maior, é da empresa JF Esportes Ltda. Quem tem como sócio o empresário Renato Padilha. Foram três empréstimos em 2004 no valor de R$ 986.272,20, R$ 350 mil e R$ 300 mil. Estes adiantamentos venceriam em 2005 mas não foram efetuados os pagamentos. Na verdade apenas R$ 100 mil do empréstimo de R$ 300 mil foi pago.

Em entrevista a Rádio 730 em novembro o empresário Renato Padilha diz ter firmado um acordo com Raimundo Queiroz para que a quantia fosse paga depois, porém sem especificar uma data. Padilha não teria pressa para receber o que ainda não foi pago a sua empresa.

Raimundo alega que o Goiás precisava deste empréstimo para contar com um bom naquele ano de 2005. Porém, o próprio ex-presidente não provou como foram gastos esta receita que entrou nos cofres do clube.

Este empréstimo rendeu uma nova polêmica, agora sobre a existência ou não da empresa JF Esportes Ltda. Em 26 de fevereiro de 2008 o Conselho do Goiás representado por Rogério Santana de Ferreira, foi a cidade de Ivoti no Rio Grande do Sul para verificar a existência da empresa. No endereço do contrato de empréstimo, para o auditoria do clube, foi constatado que não existia a tal empresa.

Ontem a Rádio 730 foi ao local onde deveria estar situada a empresa. A emissora constatou que a JF Esportes Ltda tinha realmente sua sede em Ivoti, no mesmo local em que o Conselheiro do Goiás diz não ter encontrado nada. Um dos repórteres na cidade do interior gaúcho, Alípio Nogueira, ao ser perguntado se achava que Rogério Santana teria usado de má fé em não localizar a sede da empresa, o repórter se hesitou em responder por considerar de difícil acesso o local.

Raimundo Queiroz ainda deve se pronunciar e comprovar a auditoria do clube algumas supostas irregularidades como: erros em contabilização de saques; vendas de títulos; a venda do atacante Souza ao Flamengo; empréstimo tomado junto ao treinador Geninho e ao goleiro Harley.

O ex-presidente foge claramente de algumas perguntas. Como o porquê da alta taxa de juros no dinheiro recebido de Adilson Antônio, e o porquê da entidade Goiás recorrer a empréstimo de seus próprios funcionários. Este silêncio de Raimundo aliado ao fato de sempre dizer a imprensa que é uma “vítima” de Hailé Pinheiro, o deixa em situação ruim perante aos esmeraldinos.

A eleição estava quase perdida para Raimundo até segunda-feira última, dia em que a Rádio 730 descobriu que a J.F Esportes realmente existe. Hailé é o homem mais influente no Goiás. Porém, esta investigação desta emissora pode muito bem mudar um pouco o rumo desta eleição. Raimundo ganhou força novamente. Este pleito está, na minha visão, indefinido.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Amauri merece uma chance

Quem teve a oportunidade de assistir a partida entre Juventus e Milan pelo Campeonato Italiano viu um grande jogo de futebol. Os campeonatos europeus também estão pobres em número de bons jogos, mas a vitória por 4 a 2 da vecchia senhora foi muito interessante. Só que não vim aqui para falar do Calccio e nem mesmo de outro campeonato do velho continente. Há muito tempo me chama a atenção as atuações do brasileiro Amauri, da Juventus, e hoje mais uma vez o atacante foi muito eficiente.

Amauri se destacou no Palermo na temporada passada e foi contratado pela Juventus. O atleta já conquistou o seu espaço e é titular absoluto de seu time. Ele certamente merece uma chance na seleção brasileira. Nem acho que seja melhor do que Luís Fabiano ou Adriano. Estamos bem servidos de centroavantes, mas o atual momento do Imperador na Inter de Milão serve de alerta. Adriano tem correspondido todas as vezes que entra em campo com a camisa do Brasil. Foi assim na partida contra a Venezuela, nas Eliminatórias, e nos poucos minutos em que atuou no amistoso contra Portugal. O problema mais uma vez é a indisciplina. Adriano já irritou algumas vezes o técnico José Mourinho, chegou a ser afastado do grupo e pode sair do clube milanês em definitivo.

É bom ter outra opção para o lugar de Adriano caso o Imperador continue apresentando os já tradicionais problemas disciplinares. Até mesmo porque o próprio técnico da seleção não confia nos ''seus'' atacantes Jô e Alexandre Pato. Na última rodada dupla das Eliminatórias, Adriano nem sequer estava convocado, mas com o corte de Luís Fabiano foi chamado por Dunga. O normal era que os jogadores que já estavam convocados, como Jô e Pato, fossem os favoritos para assumir a vaga deixada por Luís Fabiano. Mas Dunga optou (corretamente) por Adriano. O errado nesse caso era a convocação de Jô e Pato. Quem discorda é só olhar o resultado de Brasil e Colômbia. Adriano foi suspenso na partida contra a Venezuela (vencida por 4 a 0 pelo Brasil) e não pôde jogar contra os colombianos. Azar do público que compareceu ao Maracanã e viu um pobre zero a zero.

Amauri deveria ser convocado para ser testado. Os amistosos, que na maioria das vezes não servem para nada, poderiam ser úteis para Dunga (basta ele querer) e Amauri. O atacante brasileiro, pouco conhecido em nosso país, é um grande centroavante. Como já disse, não o acho melhor do que Adriano e Luís Fabiano, mas é muito bom. Principalmente nas bolas aéreas. O jogador de 1,88m sabe fazer gols de cabeça como poucos. Ironia do destino seria se ele fosse convocado para o primeiro jogo da seleção em 2009, que vai ser justamente contra a Itália, país em que ele se profissionalizou. A azzurra, aliás, já sondou o atacante algumas vezes para defender a seleção italiana. A esperança de defender o Brasil falou mais alto e Amauri ainda aguarda uma convocação para defender as cores de seu país.

O jogador saiu do Brasil aos 19 anos, após disputar um torneio Sub-20 no país da bota. Depois de jogar em 5 equipes italianas, Amauri chegou a Juventus e hoje, com 28 anos, é um atleta pronto para ajudar a seleção brasileira. Se engana quem acha que é o mesmo caso do ''grande'' Afonso Alves, que fez vários gols no modesto Campeonato Holandês para ser convocado. Até acho que a convocação foi correta na época, já que o Brasil não tinha um centroavante definido como tem hoje. Se o campeonato é fraco tecnicamente, o atacante tem que fazer mais gols do que os artilheiros das ligas mais fortes e isso Afonso fez. Ele só não ganhou a chuteira de ouro da Europa porque o Campeonato Holandês tem peso inferior aos das principais ligas. E exatamente pelo nível do futebol holandês, Afonso Alves era uma dúvida que precisava ser testada.

Mas Amauri não é dúvida. Ele pode não dar certo na seleção, como outros grandes jogadores não deram, mas merece uma chance. Digo que não é dúvida porque ele é titular de um dos clubes mais importantes do mundo, atua nos principais campeonatos e dá conta do recado. Portanto, se trata sim de um grande jogador. Temos que nos acostumar e começar a valorizar atletas pouco conhecidos no Brasil. Digo isso porque, infelizmente, é cada vez mais comum jogadores deixarem o Brasil antes mesmo da profissionalização. Há quem diga que o jogador precisa ''se identificar'' com o país para defender a seleção.

Certamente se o futebol brasileiro oferecesse boas condições os jogadores não deixariam nosso país tão prematuramente como fez Amauri. Se essa ''identificação'' fosse realmente necessária, recusar um convite da seleção italiana tetra campeã mundial não seria uma bela prova de fidelidade e vontade de defender a seleção brasileira? Até nesse quesito Amauri vai bem e faz o que está ao seu alcance. Agora é com Dunga.

A Traffic não confia na punição da justiça, e ignora a Lei Pelé

Esta última semana no futebol, além da contratação de Ronaldo pelo Corinthians, ficou marcada também pelo acordo entre clubes e novos parceiros.

O Fluminense que já tem como principal investidor a Unimed, agora tem um novo vínculo com a Traffic, a mesma que é a investidora do Palmeiras. E o Botafogo também fechou um contrato com a Traffic.

O Fogão terminou o Campeonato Brasileiro com sérios problemas financeiros, correndo o risco de disputar o Campeonato Carioca com um time de juniores por falra de dinheiro para contratar novos jogadores. O que era um grande problema, teve a sua solução esta semana. O novo contrato com a Traffic já permite o torcedor do clube em sonhar com grandes contratações.

Com R$ 20 milhões para investir no futebol jogadores como Leandro ex-Palmeiras, Fahel do Goiás, além do apoiador Maicosuel do Palmeiras. O Botafogo volta a ficar um time competitivo nas maõs de Ney Franco.

A nova parceria ainda pode ajudar o time a investir no Engenhão, com a nomeação de setores do estádio com o nome da empresa, assim como o Visa pode fazer.

Aparentemente está tudo bem. Mas, o artigo nº 27-A da Lei 9.615 (Pelé) prevê uma empresa não pode investir direta ou indiretamente mais de uma entidade esportiva. Por ser o principal investidor do Palmeiras e agora junto com a MFD os investidores do Botafogo, além do Fluminense, a Lei foi burlada.

Qualquer clube do país pode entrar com um processo no STJD contra os três clubes. A punição pode acarretar em perda de pontos de qualquer torneio nacional além de exclusão destas competições, até o julgamento do processo.

J.Hawilla, presidente da Traffic, ainda não se pronunciou sobre o caso.

Qual "jeitinho" vai se conseguir neste caso?